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A escala 6x1 acabou na Constituição, e o prazo para se adaptar já está correndo. Veja o que mudou e o que fazer a partir de hoje.

Antes: 6x1
1 folga por semana
STQQSSD
Agora: 5x2
2 folgas por semana
STQQSSD
Dia de trabalho    Dia de folga

O que foi aprovado

O Congresso promulgou na sexta-feira (16/10) a Emenda Constitucional nº 141/2026, que acaba com a escala 6x1 e prevê a 5x2, com duas folgas por semana, para todos os trabalhadores em até dois meses. A votação final no Senado foi de 75 votos a 1.

A emenda também reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, num período de transição de 14 meses.

Cronograma

QuandoO que muda
Até 60 dias da promulgação (cerca de meados de dezembro de 2026)Escala 5x2 obrigatória e jornada máxima de 42 horas semanais
Até 14 meses (cerca de dezembro de 2027)Jornada máxima de 40 horas semanais

Dos dois dias de descanso, um deve ser, preferencialmente, aos domingos. Se as horas forem distribuídas igualmente em cinco dias, a jornada diária na primeira etapa fica em 8h24.

Exceções que importam

  • Regime compensatório por acordo ou convenção coletiva: em caráter excepcional, uma escala diferente da 5x2 pode ser prevista nesses instrumentos, e o dia a mais trabalhado precisa ser compensado com folga dentro do mesmo mês.
  • Setores de funcionamento contínuo: lei específica poderá regulamentar áreas como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, respeitando o limite de 40 horas e dois dias de descanso.
  • Altos salários: há regra própria para quem tem ensino superior e remuneração a partir de R$ 21.188,87, mantida a 5x2.
  • Prestadores de serviço ao Estado: têm 12 meses, e não 60 dias, para encerrar a 6x1.
  • MEI, microempresas e empresas de pequeno porte: a emenda autoriza medidas transitórias por lei complementar para reduzir o impacto. Ainda falta definir quais.

Outro ponto: a mudança não obriga ninguém a fechar aos fins de semana, mas quem funciona todos os dias terá de organizar revezamento entre as equipes.

O debate sobre custos

A CNI alerta para risco à competitividade e pressão sobre preços, e já fala em revisar a emenda. Já os sindicatos de trabalhadores comemoram a mudança. Para o empresário, o que importa é que a regra está valendo e alguns pontos, como a carga de setores específicos, ainda dependem de regulamentação.

Quanto isso custa na prática

Como o salário não cai, o valor da hora trabalhada sobe. Pela conta simples (salário dividido pelas horas):

  • De 44h para 42h, a hora fica cerca de 4,8% mais cara.
  • De 44h para 40h, a hora fica 10% mais cara.

Essas contas ignoram horas extras, adicionais e a perda de capacidade nos horários de pico. Use-as como ponto de partida e refaça com os números reais da sua empresa.

7 soluções para o empresário

Faça o diagnóstico agora

Liste cada função, escala, horas contratadas e o custo por hora. Identifique onde a 6x1 existe hoje e quantas horas de cobertura você perde com a mudança. Esse é o passo mais importante.

Monte escalas de revezamento

Em comércio, alimentação e serviços, o caminho é a 5x2 com folgas alternadas, mantendo a loja aberta e cada pessoa com dois dias de descanso. Comece com um teste em uma equipe antes de aplicar a todas.

Dimensione a equipe pelo movimento, não pelo calendário

Cruze vendas ou atendimentos por dia e hora com o número de pessoas escaladas. Muitas empresas têm gente demais em horário fraco e de menos no pico, e a nova escala força esse ajuste.

Use a negociação coletiva

Se o seu setor precisa de uma lógica diferente, procure seu sindicato patronal e acompanhe as convenções da categoria. O regime compensatório depende desse acordo e não pode ser decidido só pela empresa.

Complemente a equipe com contratos flexíveis

Para cobrir picos e folgas, avalie trabalho parcial, intermitente ou temporário, conforme o caso. Cada modalidade tem regras próprias, então valide com seu contador ou advogado antes.

Ganhe produtividade onde o tempo se perde

Revise processos, elimine retrabalho, reduza reuniões, automatize tarefas repetitivas (agendamento, estoque, cobrança, atendimento inicial) e padronize rotinas. Cada hora recuperada compensa parte do custo.

Reprecifique com planejamento

Calcule o aumento real do custo por hora e decida o quanto absorver, repassar ou compensar com produtividade. Reajustes pequenos e graduais costumam doer menos que um aumento único. Reforce também o caixa para o período de transição.

Checklist rápido

  • ☐  Mapear escalas e custo por hora atuais
  • ☐  Simular a 5x2 com 42h e depois com 40h
  • ☐  Verificar se seu setor tem convenção coletiva ou regra específica
  • ☐  Conversar com o contador sobre folha, encargos e banco de horas
  • ☐  Alinhar o plano com os funcionários antes da data-limite
  • ☐  Acompanhar a regulamentação, especialmente se for MEI, ME ou EPP

Conclusão

A mudança está definida e o relógio está correndo. Quem se organizar antes, com diagnóstico, escalas bem montadas e ganho de produtividade, vai sentir menos o impacto e pode até sair na frente na hora de atrair e reter equipe.

Este conteúdo é informativo e não substitui orientação de contador ou advogado trabalhista. Os prazos exatos dependem da data de publicação no Diário Oficial, e há pontos ainda pendentes de regulamentação. Fontes: Agência Brasil, Senado Notícias, O Povo, IEPREV, Informe 360, Suno e Minha Bahia.

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